Gestão de Projetos para Educadores: Como calcular ROI (e não errar nos “custos invisíveis”)
- Rodrigo Fernandes Gonzales
- 21 de nov. de 2025
- 4 min de leitura

Falar de ROI em educação não é “financeirizar” a sala de aula — é garantir que o projeto educacional se sustente e gere valor real: melhor aprendizagem, menos retrabalho, mais eficiência e, quando for o caso, receita. O problema é que muita gente calcula o retorno olhando só para o que foi pago a fornecedores e ignora custos invisíveis (também chamados de custos indiretos/overhead, soft costs e custo de oportunidade). Aí o ROI fica “bonito no papel”, mas não fecha na prática.
Este guia mostra como calcular um ROI honesto para cursos, trilhas, treinamentos e implantações (ex.: Moodle), sem esquecer o que mais pesa no dia a dia.
1) O que é ROI (e por que importa na educação)
ROI (Return on Investment) mede quanto o projeto retornou em relação ao que foi investido.
Fórmula básicaROI = (Benefícios – Custos) ÷ Custos
Benefícios: ganhos financeiros diretos (ex.: venda de cursos), ou ganhos operacionalmente mensuráveis que viram economia (menos horas gastas, menos evasão, menos chamados, etc.).
Custos: tudo que foi gasto de verdade para fazer o projeto existir (diretos + indiretos).
Por que usar?
Ajuda a priorizar projetos (o que gera mais valor primeiro).
Facilita conversar com direção/financeiro na língua do negócio.
Sustenta a continuidade do projeto (orçamento no próximo ciclo).
2) Custos: diretos, “invisíveis” e oportunidade
Para um ROI que não te trai, some todos os custos:
a) Custos diretos (fáceis de lembrar)
Contratação de profissionais externos (edição, design, consultoria)
Licenças de software, estúdio, microfones, gravação
Marketing para lançamento, mídia paga
b) “Custos invisíveis” (indiretos/overhead e soft costs)
Horas da equipe interna (professor, coordenação, TI, suporte)
Calcule custo-hora (salário + encargos ÷ horas úteis/mês) × horas gastas no projeto
Infraestrutura compartilhada (energia, internet, manutenção de equipamentos)
Pode ratear por um critério simples (ex.: % do tempo de uso)
Depreciação/vida útil de equipamentos usados no projeto
Suporte e manutenção pós-lançamento (atendimento, atualizações no LMS)
Retrabalho (refazer vídeo, refazer material, revisões extras além do planejado)
c) Custo de oportunidade
O que deixou de ser feito porque a equipe focou no projeto?
Ex.: o professor produziu 1 curso novo ou atendeu 4 turmas a mais?
Se o projeto substitui entregas que gerariam receita/resultado, isso precisa ser ponderado.
Nome técnico que você talvez estivesse buscando: custos indiretos/overhead e soft costs (custos não evidentes de implantação/gestão).
3) Benefícios: como transformar “educação” em números
Receita: venda de cursos, aumento de ticket médio, novos contratos B2B.
Economia: menos evasão, menor retrabalho, menos chamados de suporte, menos horas de coordenação, menor tempo de onboarding.
Produtividade:
Antes: 8h para preparar aula/semana → Depois: 5h (ganho de 3h).
Multiplique pelas pessoas afetadas e valor/hora.
Qualidade/resultado: melhora de NPS/satisfação → menos regravações, menos cancelamentos.
Dica: quantifique poucas métricas chave (2 a 4). Melhor pouco e consistente do que um “romance” sem base.
4) Exemplo prático (fictício, mas realista)
Projeto: curso online de LGPD para 300 colaboradoresHorizonte: 6 meses
Custos diretos
Edição de vídeo: R$ 6.000
Licenças (6 meses): R$ 2.400
Comunicação e peças: R$ 1.600Subtotal diretos: R$ 10.000
Custos “invisíveis” (indiretos/soft costs)
Professor especialista (40h × R$ 120/h): R$ 4.800
TI/LMS (15h × R$ 100/h): R$ 1.500
Coordenação (12h × R$ 90/h): R$ 1.080
Suporte pós-lançamento (2h/sem por 12 sem × R$ 60/h): R$ 1.440Subtotal indiretos: R$ 8.820
Custo total (TCO do projeto): R$ 18.820
Benefícios estimados (6 meses)
Redução de incidentes e retrabalho jurídico: R$ 12.000
Produtividade (menos 1h de retrabalho por mês × 300 colab × R$ 20/h × 6 meses): R$ 36.000Benefícios totais: R$ 48.000
ROI = (48.000 – 18.820) ÷ 18.820 ≈ 155%Payback ≈ 18.820 ÷ (48.000/6) = 18.820 ÷ 8.000 ≈ 2,35 meses
Resultado defensável, porque inclui horas internas e suporte — os invisíveis que geralmente somem.
5) Passo a passo para calcular (e defender) seu ROI
Liste entregas do projeto (escopo) e as pessoas envolvidas
Levante custos diretos (fornecedores, licenças, mídia)
Valore horas internas (custo-hora × horas do projeto)
Inclua soft costs (manutenção, suporte, depreciação)
Projete benefícios (receita e/ou economia) com base em indicadores reais
Calcule ROI e payback; se quiser, estime NPV/VPL para projetos >12 meses
Crie um dashboard simples para acompanhar custo real × benefício realizado
6) Erros comuns (e como evitar)
Ignorar horas internas: some custo-hora de todos que atuam.
Confundir “custo do curso” com custo do projeto: inclua pós-lançamento.
Não medir benefício: defina 2–4 KPIs e acompanhe (evasão, retrabalho, tempo de resposta, vendas).
Atribuir tudo ao projeto: cuidado para não “colar” benefícios que não têm relação causal.
Esquecer mudanças de escopo: cada mudança altera custo e ROI (documente e reestime).
7) Template rápido (cole em uma planilha)
Aba ‘Custos’
Atividade | Tipo (Direto/Indireto) | Responsável | Qtd/horas | Custo unit. | Total
Aba ‘Benefícios’
Métrica | Como mede | Antes | Depois | Var. mensal | Valor (R$)
Resumo
Total custos diretos | Total indiretos | TCO
Benefícios mês | Benefícios 6/12 meses
ROI, Payback, observações
Se quiser, eu gero essa planilha-modelo para você já com fórmulas.
Conclusão
ROI em educação é totalmente possível — desde que você conte a história completa: custos diretos e invisíveis, benefícios operacionais e financeiros, e um acompanhamento simples, contínuo. Com isso, você tira o projeto do discurso e o coloca na realidade do negócio.
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