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Gestão de Projetos para Educadores: Como Gerenciar Custos em Projetos Educacionais

  • Foto do escritor: Rodrigo Fernandes Gonzales
    Rodrigo Fernandes Gonzales
  • 21 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura
Custo em projetos

Quando pensamos em educação, é comum focar em conteúdo, métodos, tecnologia, engajamento dos alunos… e deixar o dinheiro em segundo plano. Mas a verdade é simples:👉 sem uma boa gestão de custos, até o melhor projeto educacional fica insustentável.


Neste artigo, vamos ver como a Gestão de Custos segundo o PMBOK v6 se aplica a projetos educacionais: criação de cursos, implantação de plataformas, semanas pedagógicas, academias corporativas, trilhas de treinamento etc.A ideia aqui não é virar financeiro, e sim aprender a planejar, acompanhar e justificar o investimento em educação.


Por que falar de custos em educação?


Projetos educacionais costumam ter:

  • Orçamentos apertados;

  • Muitas demandas “extras” no meio do caminho;

  • Participação de diferentes áreas (financeiro, TI, RH, coordenação pedagógica);

  • E, às vezes, a sensação de que “educação é custo, não investimento”.


Uma boa gestão de custos ajuda a mudar essa lógica, porque permite:

  • Planejar melhor o investimento;

  • Mostrar retorno (mesmo que indireto);

  • Evitar desperdícios e retrabalho;

  • Proteger o projeto de cortes aleatórios de orçamento.


Os 4 processos de Gestão de Custos no PMBOK v6


No PMBOK v6, a área de custos é formada por quatro processos principais:

  1. Planejar o Gerenciamento dos Custos

  2. Estimar os Custos

  3. Determinar o Orçamento

  4. Controlar os Custos


Vamos traduzir cada um deles para a realidade de projetos educacionais.


1. Planejar o Gerenciamento dos Custos


Aqui você define como os custos serão pensados, medidos e acompanhados durante o projeto.


Na prática, você responde perguntas como:

  • Quem aprova gastos no projeto educacional?

  • Vamos trabalhar com um orçamento global ou por fases (planejamento, produção, implantação)?

  • Como vamos registrar e acompanhar custos? Planilha? Sistema financeiro? Ferramenta de gestão de projetos?

  • Haverá reservas para riscos (contingências)?


🎓 Exemplo educacional:Projeto de criação de uma trilha de cursos online para capacitar professores de uma rede de escolas.


No plano de gerenciamento de custos, você define:

  • Que qualquer gasto acima de R$ 2.000 precisa de aprovação da coordenação;

  • Que os custos serão organizados por categorias: produção de conteúdo, tecnologia, comunicação e suporte;

  • Que haverá uma reserva de contingência de 10% do valor total para imprevistos.


2. Estimar os Custos


Agora é hora de traduzir atividades em valores.Cada etapa do projeto tem um custo, direto ou indireto:

  • Horas de profissionais (professores, designers, equipe de TI, editores de vídeo);

  • Softwares e plataformas (LMS, ferramentas de edição, licenças);

  • Infraestrutura (estúdio, equipamentos, hospedagem, consultorias externas).


Há várias formas de estimar, mas em educação você pode usar principalmente:

  • Estimativa análoga:“No último curso gastamos R$ 8.000 para 10 videoaulas. Este curso tem 5 videoaulas similares, então estimamos R$ 4.000.”

  • Estimativa paramétrica:“Cada vídeo de 10 minutos custa em média R$ 600 para gravar e editar. Teremos 12 vídeos. 12 x 600 = R$ 7.200.”

  • Estimativa por 3 pontos (otimista, provável, pessimista):Útil para projetos com muito risco, como implantação de plataforma nova.


📚 Exemplo educacional:Projeto: criar um curso de “Segurança no Trabalho” em EAD.

  • Roteirização: 10 horas de trabalho pedagógico

  • Gravação: 1 dia de estúdio

  • Edição: 20 horas de editor

  • Ilustrações e materiais PDF: 8 horas de designer


A partir do custo/hora de cada profissional, você chega a uma estimativa de custo total de produção.


3. Determinar o Orçamento

Depois de estimar custo por atividade, você agrega tudo para definir o orçamento do projeto.


Aqui você:

  • Soma os custos das atividades;

  • Agrupa por fases ou entregas (ex.: protótipo, versão beta, versão final);

  • Inclui reservas de contingência (para riscos previstos);

  • E, se a organização adotar, considera também reserva gerencial (para riscos imprevisíveis).


🎯 Exemplo:Trilha de formação de líderes educacionais (3 cursos):

  • Curso 1 – Comunicação: R$ 6.000

  • Curso 2 – Gestão de Tempo: R$ 5.000

  • Curso 3 – Cultura de Alta Performance: R$ 7.500

  • Comunicação e lançamento: R$ 3.000


Subtotal: R$ 21.500Reserva de contingência (10%): R$ 2.150


💰 Orçamento total aprovado do projeto: R$ 23.650


Este valor é a linha de base de custos: aquilo que será usado para comparar custos reais x planejados.


4. Controlar os Custos


Agora vem a parte que quase todo mundo esquece: acompanhar se o projeto está gastando conforme o planejado.


Controlar custos significa:

  • Registrar os gastos conforme eles acontecem;

  • Comparar Custo Planejado x Custo Realizado;

  • Tomar ações se perceber desvios (cortar desperdícios, renegociar escopo, priorizar entregas).


Você pode usar métricas simples, como:

  • Variação de Custos (VC):VC = Custo Planejado – Custo RealizadoSe o valor for negativo, você está gastando mais do que o planejado.

  • Percentual de conclusão x percentual de gasto:Exemplo: projeto 40% concluído, mas já consumiu 70% do orçamento = alerta!


📌 Na educação, isso pode significar:

  • Ajustar o escopo da segunda fase do projeto para compensar o excesso de gasto na primeira;

  • Negociar com fornecedores;

  • Reduzir “extras” que não impactam diretamente o resultado.


Como isso se traduz no dia a dia de uma instituição educacional?


Vamos ver dois exemplos práticos.


Exemplo 1: Curso online para capacitar professores

  • Sem gestão de custos:Cada professor pede algo diferente, são contratados freelancers extras, as gravações vão sendo agendadas sem um limite claro de horas de estúdio…No final, o curso até fica bom, mas custou muito mais do que poderia — e isso dificulta repetir o modelo.

  • Com gestão de custos seguindo o PMBOK:O escopo está claro, as horas de estúdio são planejadas e controladas, o editor de vídeo tem uma quantidade definida de horas, e qualquer alteração passa por análise de impacto de custo.Resultado: o projeto se paga com muito mais facilidade, e a instituição tem base para reaplicar o modelo em outros cursos.


Exemplo 2: Treinamento corporativo em uma empresa

  • Sem gestão de custos:O RH aprova “mais um módulo”, “mais uma aula bônus”, “mais um encontro presencial”, tudo sem revisar o orçamento.O treinamento passa a ser visto pela diretoria como algo caro demais e pouco previsível.

  • Com gestão de custos:Cada mudança é avaliada quanto a impacto de custo.Se a diretoria quiser “mais coisa”, você consegue dizer:“Ok, dá para fazer, mas o custo passa de R$ 30 mil para R$ 38 mil, e o prazo aumenta em 15 dias.”Ou seja, educação passa a falar a língua do negócio.


Erros comuns na gestão de custos em projetos educacionais

  1. Não registrar pequenos gastos“É só um microfone”, “é só um suporte de câmera” — no final, viram uma soma relevante.

  2. Confundir custo de produção com investimento totalEsquecer de incluir tempo da equipe interna, retrabalho, suporte, comunicação.

  3. Aceitar mudanças sem atualizar o orçamentoScope creep + falta de controle de custos = receita perfeita para o caos.

  4. Não usar reservas de contingênciaProjetos educacionais SEMPRE têm imprevistos. Não prever isso é pedir para estourar orçamento.


Dicas práticas para educadores que não são da área financeira

  • Use planilhas simples para listar atividades e custos associados;

  • Sempre que pensar “vamos aproveitar e colocar mais isso”, pergunte:👉 “Quanto isso vai custar? Onde entra no orçamento?”

  • Crie o hábito de registrar custo planejado, custo real e justificativa de desvios;

  • Se possível, conecte custo com resultado:

    • redução de retrabalho,

    • diminuição da evasão,

    • aumento de satisfação,

    • ganho de produtividade.


Isso ajuda a mostrar que educação é investimento, não só despesa.


Conclusão: Gerenciar custos é proteger o projeto (e a educação)


Gestão de custos não é só conta de padaria — é uma forma de dar sustentabilidade aos projetos educacionais.Quando você planeja, estima, orça e controla custos de forma profissional:

  • Ganha mais credibilidade com a direção;

  • Evita cortes inesperados no meio do caminho;

  • E aumenta as chances do projeto ser replicado e escalado.


🎯 Quer ajuda para organizar custos do seu próximo projeto educacional, curso ou trilha de aprendizagem?


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